quinta-feira, 7 de julho de 2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Quiromante

Os dedos rugosos
tateiam a vida
cifrada em sulcos

os olhos velhos
vagueiam
em futuros dispostos
como erraram
suas sombras ancestrais
do Nilo ao Yamuna
do Olt ao Iguaçu

A língua
trava desliza
romani sânscrito baixo latim
fofocas lendas lamúrias
passadas

Como uma gangana
da infância
sua boca ventriloucamente
expira o espírito rom
antecipador dos dias
dos desastres das perfídias

Espalmada
minha mão transpira
e
as linhas da vida e do coração
se afogam
no enfado
do sono cigano

Rio de Janeiro, 2013.



Alexander Selkirk







O Solitude! where are the charms
That sages have seen in thy face?
Better dwell in the midst of alarms,
Than reign in this horrible place.
Willian Cowper.


Riscando a bruma azulzácea
com que a tarde acariciava a pele das águas,
uma gaivota restituía ao mar
alguns poucos de seus peixes
repescados por assombro

O olhar solitário
mirou o milagre

Selkirk
qualquer que
fosse seu desamparo
naquele raro instante:

tocou a face esconsa
da solitude