quarta-feira, 6 de julho de 2016

Quiromante

Os dedos rugosos
tateiam a vida
cifrada em sulcos

os olhos velhos
vagueiam
em futuros dispostos
como erraram
suas sombras ancestrais
do Nilo ao Yamuna
do Olt ao Iguaçu

A língua
trava desliza
romani sânscrito baixo latim
fofocas lendas lamúrias
passadas

Como uma gangana
da infância
sua boca ventriloucamente
expira o espírito rom
antecipador dos dias
dos desastres das perfídias

Espalmada
minha mão transpira
e
as linhas da vida e do coração
se afogam
no enfado
do sono cigano

Rio de Janeiro, 2013.



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